Como Deus É? – A Natureza e os Atributos de Deus

Será que as descobertas da ciência confirmam aquilo que a Bíblia ensina sobre Deus? A natureza e os atributos bíblicos de Deus condizem com o que a criação nos revela?


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A natureza e os atributos de Deus

A Bíblia nos revela Deus como o criador de todas as coisas (Gn 1.1, Jo 1.3). Um ser único, eterno, espiritual, auto-existente, imutável e infinito, também ensina que ele é onipresente, onisciente, onipotente e bom. Essa é a natureza do Deus bíblico.

Mas será que se não fosse a Bíblia, ainda sim poderíamos chegar a essas mesmas conclusões sobre Deus?

As descobertas científicas do último século são unânimes em afirmar que o Universo teve um início. A lógica também demonstra ser impossível uma quantidade infinita de dias no passado. E que obrigatoriamente existe o dia um.

Deus é o Criador

Se o Universo teve um começo, significa que possui uma causa. E como vimos no artigo “Deus ou Big Bang”, a única possibilidade plausível para a causa primeira do Universo é Deus. Um ser externo ao tempo, ao espaço e à matéria.

Isso é o que chamamos na teologia de revelação natural, ou seja, aquilo que conseguimos conhecer sobre Deus com base apenas na razão. Porém é importante lembrar que o fundamento da nossa fé não está na revelação natural, mas sim na revelação bíblica.

Mesmo que a natureza já nos revele a existência de um criador (Rm 1.20), nós cremos que Deus é esse criador porque a Bíblia diz que ele é (Sl 104.24, Is 41.4). E isso acontece já no primeiro versículo: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1.1). E essa revelação bíblica está em harmonia com revelação natural. Onde “no princípio” indica a origem do tempo e “céus e a terra” a criação do espaço e da matéria.

O mais impressionante é que essa mesma harmonia também está presente em todas demais revelações feitas pela Bíblia a respeito de Deus.

O propósito deste texto é discorrer sobre os atributos bíblicos de Deus e demonstrar como cada um deles condiz perfeitamente com a revelação natural, seja ela com base nas descobertas científicas ou nos princípios racionais da lógica.

Deus é Eterno

Do ponto de vista da revelação natural, um Deus que criou o tempo não pode ter tido um começo, pois para haver “começo” é preciso haver tempo. Um Deus que transcende ao tempo é obrigatoriamente um Deus eterno, que não teve início (Cl 1.17) e jamais terá fim (Sl 102.27).

Exatamente como a Bíblia descreve Deus (Sl 90.2). Um ser eterno, que permanece acima do tempo (Sl 148.13) e percebe toda a existência, seja passada, presente ou futura, como algo “presente” em sua consciência (Sl 90.4). Algo que, naturalmente, teremos muita dificuldade em compreender, pois se trata de uma espécie de existência diferente da nossa (Is 55.9, 2Co 12.1-4).

A Bíblia também ensina que, apesar de Deus estar fora do tempo, isso não o impede de atuar dentro do tempo (Jr 32.26-28). Muito pelo contrário, sua eternidade permite uma atuação perfeita ao longo da história (Jó 42.1-2), tanto pela precisão com que se recorda de eventos passados (Is 66.18), como pelo conhecimento pleno de eventos futuros (Is 42.9).

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Deus é Auto-existente

A revelação natural também nos mostra um Deus auto-existente, pois como causa primeira e externa ao Universo, o criador é obrigatoriamente independente de sua criação em todos os sentidos. Exatamente como a Bíblia ensina (Jó 41.11, Rm 11.34-35, At 17.25).

Deus tem em si mesmo a base da sua existência (Êx 3.13-14), ele não precisou nem precisa de ninguém para existir ou para qualquer outra coisa (Sl 50.12). Isso revela como somos importantes para Deus (Is 49.15, Sl 139.13-14), pois além de não sermos fruto do acaso, também não somos fruto de uma necessidade de Deus, mas sim de sua livre e soberana vontade (Tg 1.18).

Deus é Imutável

Outra revelação natural: Deus é imutável. A lógica é simples: toda mudança acontece ao longo do tempo; Deus está fora do tempo; logo, ele não pode mudar.

E quando vamos na Bíblia, percebemos que a imutabilidade de Deus é uma das principais doutrinas ensinadas por ela (Ml 3.6, Tg 1.17, Hb 13.8). Qualquer mudança em Deus, mesmo que seja para melhor, é algo impossível. Afinal, Deus é a perfeição absoluta (Mt 5.48, Dt 32.4).

Quando a Bíblia fala na mudança de ideia ou no arrependimento de Deus (Gn 6.6, Jn 3.10), por exemplo, usa uma linguagem em termos humanos, para que o homem compreenda a intenção e o sentimento presente em Deus diante de uma situação específica (Êx 32.14, Jr 18.8, Jl 2.13). Essa linguagem é conhecida como antropopatismo.

Deus não muda seus planos (Sl 33.11), seus princípios morais (1Sm 15.29), sua vontade (Jo 6.38, Ef 1.11-12), seus propósitos (Is 46.11) ou suas promessas (Nm 23.19).


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Deus é Infinito

Um outra conclusão que podemos chegar através da revelação natural é que um criador eterno também é necessariamente infinito e não pode possuir qualquer tipo de limitação ou dimensão espacial (Is 66.1-2). Afinal, ele jamais estaria limitado ao Universo criado por ele mesmo (Hb 1.10-12).

Assimilar a infinidade de Deus é a chave que precisamos para compreender da maioria dos seus atributos. Deus é infinito em tudo (Sl 145.3), poder (Lc 1.37), conhecimento (Sl 139.6), sabedoria (Is 40.28), amor (Sl 100.5), justiça (Sl 119.142) e etc.

Deus é Único

Somente com base em sua infinidade, descobrimos que Deus é um ser único. Se houvessem dois deuses por exemplo, um deles terminaria onde começasse o outro, e nenhum deles seria infinito.

A Bíblia ensina que Deus é único (Dt 6.4, 1Tm 2.5, 1Rs 8.60), e que todos os outros seres existem por causa dele (Dt 10.14, Rm 11.36).

A unidade divina também significa que não é correto pensar que há divisões, separações ou composições no ser de Deus. Como se ele tivesse um nível de amor, um nível de justiça, um nível de bondade e, por fim, fosse a soma de todos os seus atributos.

Deus em si é uma unidade (Gl 3.20, Jo 10.30), completamente integrada e infinitamente perfeita em todos os seus atributos. Ao mesmo tempo que Deus é o amor infinito (1Jo 4.8), ele também é justiça infinita (Sl 119.142), a bondade infinita (Is 63.7), a sabedoria infinita (Rm 11.33), etc.

Isso nos ajuda, inclusive, a compreender melhor a doutrina da Trindade (Mt 28.19). Deus não é a soma de três pessoas. O Pai é o Deus infinito (1Co 8.6), Jesus é o Deus infinito (Hb 1.8) e o Espírito Santo é o Deus infinito (At 5.3-4). Não podemos confundir as pessoas (Jo 14.16-17), nem dividir a essência de Deus, cada pessoa divina é Deus por completo (Jo 14.8-10).

Deus é Onipresente

O outro atributo que é testificado pela infinidade de Deus é a sua onipresença (Sl 139.7-12). Afinal, um ser infinito, não pode ser limitado pelo espaço e, obrigatoriamente, estará presente em todo lugar a todo momento (Jr 23.23-24). Com base nessa conclusão, e na revelação bíblica, podemos listar pelo menos cinco verdades sobre Deus e sua onipresença:

A primeira é que Deus não é um ser extremamente grande e maior que o Universo. Deus é infinito, e por isso não tem tamanho ou dimensões espaciais (Is 40.18).

A segunda é que Deus, apesar de estar presente em sua criação, é claramente distinto dela (Sl 102.25-27). Deus não é tudo o que existe, nem tudo o que existe é Deus.

A terceira verdade é que Deus está presente em cada ponto do Universo com todo o seu ser (Jo 14.23). Não é parte de Deus que está presente em um lugar e parte de Deus que está presente em outro lugar.

A quarta é que Deus não está mais presente em um lugar e menos em outro. O que muda não é a intensidade da presença de Deus (Mt 18.20), mas sim a forma como ele manifesta sua presença (At 2.1-4). Deus age e se revela de modos diferentes em lugares diferentes (Jo 14.21, 1Co 15.3-8).

E a quinta verdade é que “viver sem Deus” não é estar em um lugar onde Deus não está (Sl 139.8). Deus estará presente inclusive no Inferno, porém presente para punir (2Ts 1.8-9, Jo 3.36). Quando a Bíblia descreve o Inferno como um lugar sem Deus, refere-se à completa impossibilidade de se relacionar com ele por toda eternidade, apesar de sua presença (Sl 139.7).

Deus é uma Pessoa

As diferentes manifestações da presença de Deus ensinadas pela Bíblia, nos revelam um outro atributo de Deus: sua pessoalidade. E mesmo que deixemos a revelação bíblica de lado por um instante e pensemos exclusivamente na criação do Universo, fatalmente chegaremos à mesma conclusão.

Um ser eterno e independente, que criou algo em um ponto inicial no passado é, necessariamente, um ser pessoal (Ef 3.9-11), pois precisou realizar uma ação voluntária (Ap 4.11), caso contrário, nada existiria (Jo 1.3) ou precisaríamos considerar que o Universo é eterno, o que comprovadamente não é.

Deus é uma pessoa. E quando dizemos que Deus é uma “pessoa”, não estamos dizendo que ele é um ser humano de carne e osso (Is 46.9). Ser uma pessoa é possuir uma personalidade própria (Gn 17.1) e não necessariamente um corpo físico (1Tm 1.17). Os anjos são pessoas (Lc 1.30, 1Pe 1.12) Jesus é uma pessoa, o Espírito Santo é uma pessoa (1Co 12.11, At 13.2) e Deus pai é uma pessoa.

Quando a Bíblia ensina que fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.27), não se refere ao nosso corpo físico, mas a nossa existência como seres pessoais, dotados de intelecto, vontades e emoções (Cl 3.9-10, Sl 8.3-9).

Além disso, outra semelhança entre Deus e nós é a essência espiritual. Deus é espírito (Jo 4.24).

Deus é Espírito

Novamente, com base na revelação natural, também chegamos à essa mesma conclusão. Basta entender que um ser que não está sujeito a matéria é imaterial (1Tm 6.14-16, 1Rs 8.27). E obviamente, um ser imaterial que possui uma personalidade própria é um espírito (1Jo 4.12-15), não uma força nem uma energia.

Quando a Bíblia faz referência a Deus em termos espaciais e físicos, é claramente uma linguagem antropomórfica. Assim como o antropopatismo, que descreve sentimentos e emoções divinas em linguagem humana, o antropomorfismo é um recurso utilizado pela Bíblia para ilustrar o poder e as ações de Deus através de formas conhecidas pelo homem (1Co 2.11). Para isso ela usa principalmente partes do nosso corpo físico, como pés (At 7.49-50), mãos (Sl 10.12), olhos (Sl 11.4), ouvidos (Is 59.1) e etc.

Deus é Onisciente

Um ser eterno e pessoal, que criou seres inteligentes, naturalmente será a fonte de toda sabedoria e conhecimento (Jó 12.13, Sl 147.5). Nada permaneceria oculto a um Deus que está em todos os lugares e não é limitado pelo tempo (2Pe 3.8). Deus é onisciente, conhece tudo a respeito de tudo, em qualquer tempo o tempo todo (Sl 139.1-6, Sl 33.13-15, Sl 50.11, Sl 147.4).

Inclusive, o conhecimento de Deus sobre o futuro, não significa que ele apenas sabe o que vai acontecer, significa que para Deus o que vai acontecer já aconteceu (Ap 1.8). Deus já está no futuro, assim como está no presente e sempre esteve no passado (Ap 22.13).

Como dissemos no começo do vídeo, Deus permanece acima do tempo e percebe toda a existência, seja passada, presente ou futura, como algo “presente” em sua consciência (Jo 5.58).

A Bíblia ensina que nada, em toda a criação está oculto aos olhos de Deus (Hb 4.13, Jó 28.23-24). Ele conhece todos os pensamentos (Sl 139.23), todas as intenções e todas as motivações por trás de todas as atitudes de todos os seres vivos que existem, existiram ou existirão (Sl 139.15-16). Deus está sempre plenamente consciente de tudo (Pv 15.3, Mt 10-29-30). Ele sabe o fim desde o princípio (Is 46.10), e jamais aprende nem esquece nada (Is 40.13).

Deus é Onipotente

Outra revelação natural: um Deus que fez tudo a partir do nada (2Pe 3.5), jamais terá limite para o que pode realizar, a não ser que ele mesmo estabeleça esse limite (Is 48.11). Essa é a onipotência de Deus ensinada pela Bíblia, sua capacidade de fazer qualquer coisa e de manter tudo funcionando (Cl 1.15-17).

É evidente que Deus estabeleceu leis na sua criação, fazendo com que ela funcione de forma regular (Is 40.26). Mas mesmo assim, quando deseja, ele pode fazer com que as coisas funcionem de modo diferente (Is 38.7-8).

Deus só conhece um limite: o seu caráter moral (1Pe 1.15-16). Por essa razão, não pode mentir (Tt 1.2) nem negar sua essência (2Tm 2.13). Mas em termos de realizações, Deus pode fazer qualquer coisa (Is 43.13, Sl 115.3), embora isso não o obrigue a interferir continuadamente em tudo o que não estiver correto (Ec 12.13-14).

Deus criou seres pessoais e por uma decisão exclusivamente sua (Rm 1.22-25; Rm 9.20), não interfere gratuitamente na vontade nem de homens, nem de anjos.

Deus é Bom

E, por fim, ainda que homens ou anjos criados por Deus sejam maus (Ec 7.20, Gn 8.21, Ez 28.15, Jd 1.6), um criador eterno é inevitavelmente bom (Lc 18.19). A lógica é simples: quando dizemos que algo é mau, está implícito que temos algo bom como referência. Afinal, se algo é mau, é mau em relação ao que? O mal é a corrupção do bem (1Co 15.33, Sl 14.1-3).

Isso significa que o bem e o mal não podem ter surgido ao mesmo tempo. Algo precisa existir primeiro, para depois ser corrompido (Sl 53.3). E se o mal surgiu depois, significa que não pode fazer parte da natureza de Deus (Tg 1.13-15), que sempre existiu (Jo 17.5), ou seja, Deus é eternamente bom (Sl 34.8).

A Bíblia ensina que a bondade de Deus está intimamente ligada a várias outras características de sua natureza, entre elas a santidade (Hb 12.10), o amor (Sl 106.1), a misericórdia (Sl 86.15), a paciência (Rm 2.4) e a graça (Ef 2.6-7). Deus é um ser moralmente puro e absolutamente perfeito (1Jo 1.5, Gn 18.25-26).

Conclusão

Por mais que a revelação natural traga inúmeras informações sobre como Deus é (Rm 1.20-21; At 17.26-28), somente através da revelação especial que encontramos na Bíblia (Jo 17.17, Rm 16.25-27, 1Co 2.8-11) torna-se possível conhecer verdadeiramente a Deus (Jo 1.18; Jo 6.46). Sua vontade (Rm 12.2), seus propósitos (2Pe 3.9), seus desígnios (Ef 1.4,9-12).

Óbvio que Deus também não se revelou por completo nas Escrituras (Dt 29.29, Is 45.15), mesmo porque jamais teríamos condições de compreender um ser infinitamente superior a nós (Ec 3.11, 1Co 1.21, Is 40.21-25). Deus nos revelou o suficiente (2Tm 3.14-17), o essencial, aquilo que precisamos conhecer dele e sobre ele (Jo 14.6; Jo 17.3). Tanto para descobrirmos nosso propósito de vida (Ef 1.11-12) como para desenvolvermos um relacionamento pessoal e verdadeiro com ele (1Jo 1.1-7). Pois através da Bíblia não iremos simplesmente conhecer a respeito de Deus, iremos conhecer o próprio Deus (Jó 42.5).


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Referências bibliográficas:

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001.

Comentários

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  • Regis Martins
    Responder

    Parabéns!

    Exposição brilhante e com detalhada fundamentação bíblica.

    Deus abençoe.