A Lei Moral e a Existência de Deus

Será que há sentido, valor ou propósito na vida, se Deus não existir?1 Se Deus existe, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas e coisas boas acontecem com pessoas más? Como conciliar a existência de Deus com tanta injustiça, ódio e falta de coerência naquilo que vemos no mundo? E, principalmente, como explicar de onde tiramos a ideia de bom ou mau, certo ou errado, justo ou injusto, moral ou imoral?


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Deus existe?

Se Deus existe, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas e coisas boas acontecem com pessoas más? Por que ladrões ficam ricos, enquanto trabalhadores honestos ficam pobres? Por que assassinos permanecem vivos, enquanto inocentes morrem? Por que crianças morrem?

Mesmo que tais questões fossem motivo para questionarmos a existência de Deus, como explicar de onde tiramos a ideia de bom ou mau, inocente ou culpado, justo ou injusto? De onde vem essa lei moral que nos diz o que é certo ou errado?

No vídeo anterior nós falamos sobre a origem do Universo como sendo uma das principais evidências da existência de Deus, porém, trata-se de uma evidência histórica que não pode ser experimentada. A lei moral, por outro lado, pode ser comprovada hoje, pois estamos falando de algo que atua dentro de nós.2

Valores e deveres morais

Quando falamos em lei moral, estamos nos referindo a um conjunto de valores absolutamente bons e a um conjunto de deveres absolutamente corretos.3

A lei moral é caracterizada não pelo que fazemos ou deixamos de fazer, mas por aquilo que deveríamos fazer, mas que nem sempre fazemos. É uma espécie de obrigação que sentimos em fazer algo, independente da nossa vontade.

Dificilmente alguém irá negar a existência de valores e deveres morais. A divergência está em considerá-los objetivos ou subjetivos.

A moral é objetiva ou subjetiva?

Se um valor ou dever moral for subjetivo, ele é relativo, ou seja, depende de questões culturais, sociais, familiares ou preferências pessoais. Agora, se um valor ou dever moral for objetivo, ele é absoluto, e por isso, é real e verdadeiro independente da época, cultura ou opinião que alguém tenha a seu respeito.

Qualquer pessoa que considere a moral como subjetiva, precisa acreditar que atitudes como mentira, roubo, estupro, racismo, tortura, homicídio e etc, podem não ter sido necessariamente ruins ou erradas em algum outro momento da história.

Os valores morais mudaram com o tempo?

Para sustentar essa subjetividade, muitos questionam o seguinte: se os valores morais mudam com o tempo, como eles podem ser objetivos?

Neste caso, podemos responder com uma outra pergunta: o que de fato mudou? Os valores morais ou a nossa percepção sobre eles?

Dizer que um comportamento passou a ser imoral com o tempo, é o mesmo que dizer que as leis da natureza ou formato da Terra mudaram e não o nosso entendimento sobre o assunto.

A moralidade é um instinto?

Outros dizem que a moralidade nada mais é do que um instinto natural, e que o conflito interno está em decidir entre um instinto e outro. Porém, a moralidade é aquilo que faz você julgar entre os instintos, e por isso não pode ser um deles.

Por exemplo: o que fazer quando uma pessoa desconhecida está precisando de ajuda, mas ao ajudá-la colocaríamos em risco nossa própria vida? Obedecer ao instinto solidário ou ao instinto de autopreservação?

Neste caso, é a lei moral quem nos dirá qual deles devemos seguir e qual devemos ignorar. Normalmente, seremos encorajados a ignorar o instinto mais forte e seguir o que é mais nobre.

Já outros dizem que a nossa moralidade é subjetiva, porque somos como os animais, que mutuamente se ajudam, mesmo não tendo deveres morais uns para com os outros. Contudo, a diferença está na consciência da lei moral, algo que é exclusivo ao ser humano. Diferente do animal, o homem sabe que está diante de uma decisão moral.


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A religião define o que é moral?

E por último, alguns crêem que não existe uma lei moral porque as pessoas, e até mesmo algumas religiões, estão constantemente abrindo exceções e adaptando a lei moral conforme os seus próprios interesses.

Bom, neste caso, primeiro é importante lembrar que lei moral não é o que as pessoas fazem, mas o que elas deveriam fazer. A lei moral não deixa de existir quando não é colocada em prática. E segundo, que a lei moral não depende da religião. O máximo que a religião pode fazer é descobri-la e ensiná-la, mas não criá-la.

O mais interessante é que, quando alguém considera errada a atitude de um religioso que não pratica o que prega, indiretamente está afirmando que acredita em uma lei moral.

A lei moral existe

É inevitável que o homem crie seu próprio conceito de certo ou errado, com base em interesses pessoais, políticos, religiosos ou sociais. Mas será que isso muda a realidade sobre a lei moral?

Será que nós determinamos o que é certo e o que é errado, ou será que nós descobrimos o que é certo ou errado?

No fundo, todos sabemos que existe dentro de nós uma lei moral. E que nem sempre é o padrão pelo qual tratamos os outros, mas em praticamente todas as situações, ela é o padrão pelo qual esperamos que os outros nos tratem.

A lei moral prova a existência de Deus?

A verdade é que, se existir apenas um único dever moral objetivo, como por exemplo não estupre ou não torture crianças, significa que a lei moral existe. E se a lei moral existe, significa que Deus existe.

É simplesmente impossível que um valor ou dever moral objetivo seja de origem humana, pois ele não depende da opinião do homem para existir. Pelo contrário, ele é imposto ao homem, como uma obrigação. O que só pode ser feito por um ser superior, ou seja, Deus.

E aqui, dois pontos são muito importantes:

O primeiro é que a lei moral não pode ter origem em algo que não seja Deus. Sua origem não pode ser abstrata, pois a moralidade é uma característica exclusiva de pessoas e não de coisas.

O segundo ponto é que, como essa lei moral se mostra perfeitamente boa dentro de nós, significa que Deus não define simplesmente o que é bom e impõe isso ao homem. Se assim fosse, com certeza questionaríamos a lei moral, mas a verdade é que concordamos com ela.

Por essas razões, além da lei moral nos revelar um Deus pessoal (Êx 3.14), também mostra ser fruto, não da vontade de Deus, mas da sua própria natureza: infinito amor (1Jo 4.16) e infinita justiça (Sl 119.142).

Como então podemos conciliar a existência de Deus e da lei moral, com tanta injustiça, ódio e falta de coerência naquilo que vemos no mundo?

A Bíblia

A resposta está na Bíblia! E ela é altamente satisfatória por três motivos:

Primeiro, porque a Bíblia diz que por causa da nossa desobediência (Is 59.2), não somos isentos de culpa (Rm 3.23, Ec 7.20). O que de fato sabemos ser verdadeiro, não porque alguém aponta o nosso erro (Rm 2.1), mas porque temos a consciência de que estamos constantemente desobedecendo a lei moral que existe em nós (Rm 2.11-16, Ef 4.18, Mt 15.19).

Segundo, porque ela nos ensina sobre a vida eterna (Jo 6.68, 1Jo 2.25). E uma vez que a vida aqui parece ser injusta e carente de sentido (Ec 2.17-23), tudo muda quando a olhamos sob a perspectiva bíblica da eternidade e do juízo eterno (Mt 25.46). Quando compreendemos que tudo o que acontece aqui, será julgado por Deus (Ec 12.13-14).

E terceiro, a Bíblia nos revela que o nosso destino eterno, está nas mãos de um Deus absolutamente bom, justo e perfeito (Sl 116.5, Gn 18.25, Mt 5.48). Que sabe todas as coisas (Sl 139.1-6, Hb 4.13) e conhece nossos pensamentos, intenções e motivações (Sl 7.8-9, 1Cr 28.9).

Que forma seria mais perfeita para um ser eterno e invisível se revelar a nós, se não fosse por meio de uma ordenança escrita, que se mostrasse real dentro de nós? (Rm 2.15, 1Co 2.9-16)

Que evidência para a existência de Deus seria maior do que essa influência interna, que nos mostra qual deve ser o comportamento correto para cada situação? (Ec 8.5-6)

Conclusão

Se Deus não existisse, não haveria a menor razão para obedecer a lei moral. Afinal, não haveria julgamento (Mt 12.36-37) e o nosso destino final não teria relação alguma com o nosso comportamento (Rm 2.5-8).

Se a eternidade não existisse, nada faria sentido e tudo permaneceria sem nenhuma explicação (Ec 2.10-11, 1Co 15.13-20). O que fazemos ou deixamos de fazer pelas pessoas, em última análise, não faria a menor diferença (Ec 2.14-16). 4

Se a Bíblia não existisse, não teríamos como conhecer o verdadeiro propósito da vida (Jo 17.3, Jo 15.15-16, Jo 14.6) e nem como saber quais valores e deveres compõe a lei moral (2Tm 3.16-17, Hb 4.12). Aquilo que é bom ou ruim, certo ou errado, não passaria de mera questão de opinião humana (1Co 1.20).

Sem a Bíblia, jamais saberíamos que a prática perfeita da lei moral só pôde ser vista na vida de um único homem: Jesus Cristo (Hb 4.15, 1Pe 2.22). E que só conhecemos à Deus, por meio de sua vida, morte e ressurreição (Jo 3.36, Jo 12.45-50, Jo 10.15, Rm 6.5-11).


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Notas:

1 Sentido tem a ver com significado, o porquê aquilo é importante. Valor tem a ver com o bem e o mal, o certo e o errado. Propósito tem a ver com finalidade, a razão de algo existir. – Em guarda, William Lane Graig, pg. 32
2 Como disse C. S. Lewis, “Você descobrirá mais sobre Deus a partir da lei moral do que do Universo em geral, da mesma forma que descobrirá mais sobre o homem ouvindo sua conversa, do que observando uma casa que ele tenha construído.” – Cristianismo puro e simples, C.S. Lewis, pg. 61.
3 Valor moral diz respeito ao mérito de uma pessoa ou ação, seja ela boa ou má. O dever moral diz respeito a nossa obrigação de agir de certa forma, seja essa ação certa ou errada. – Em guarda, William Lane Graig, pg. 142
4 As contribuições de um cientista para o avanço do conhecimento humano, as pesquisas para aliviar a dor e diminuir o sofrimento, os esforços diplomáticos para garantir a paz mundial, os sacrifícios feitos por pessoas de bem, em todo o mundo, para melhorar a sorte da raça humana – tudo isso resultará em nada. […] Steven Weinberg, ganhador do Nobel de física e reconhecidamente ateu, disse em seu livro The First Three Minutes (Os três primeiros minutos): “[…] O mais difícil ainda é descobrir que o universo atual evolui a partir de uma condição inicial inexplicavelmente desconhecida, e tem pela frente uma futura extinção em um frio indescritível ou um calor intolerável. Quanto mais o universo nos parece compreensível, mas parece sem propósito.” – Em guarda, William Lane Graig, pg. 35 e 49

Referências bibliográficas:

GEISLER, Norman, TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. São Paulo: Vida, 2001.
GRAIG, William Lane. Em guarda. São Paulo: Vida Nova, 2011.
LEWIS, C.S. Cristianismo puro e simples. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017.

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